O bairro recebeu esse nome em homenagem ao republicano histórico brasileiro, Quintino Bocaiúva (1836-1912). A casa onde Quintino morou ainda hoje permanece em sua forma original, apesar de estar em precário estado de conservação, é tombada e localiza-se na Rua Goiás, perto da descida do Viaduto de Quintino.
Tem como seu filho mais ilustre o jogador Zico, conhecido nacionalmente como o "Galinho de Quintino".
Em Quintino também se localiza a sede da FAETEC, no complexo chamado de CETEP, mais conhecido ainda por seu antigo nome: CEI , onde funcionam a Escola Técnica Estadual República (ETER) (uma das maiores escolas da cidade), o Institututo Superior de Tecnologia em Ciência da Computação do Estado do Rio de Janeiro (ISTCC-RJ) e diversos outras instituições oferecendo cursos de idiomas, técnicos e profissionalizantes a diversos alunos.
O bairro serviu de cenário para o filme de Cecil Thiré, "O Ibrahim do Subúrbio", de 1976. No filme, protagonizado por José Lewgoy, locais do bairro como a estação de trem, a Rua da República e a Praça Quintino Bocayúva são citados e mostrados em várias tomadas.
Era também em Quintino que morava o menino João Hélio Fernandes Vieites, assassinado no início de 2007 por ladrões que roubaram o carro de sua mãe, em Oswaldo Cruz, num episódio que chocou todo o Brasil.
Geografia, infra-estrutura e comércio
Quintino é cortado ao meio pela linha principal da Estrada de Ferro da Central do Brasil, a qual possui uma estação no bairro. Ambos os lados (norte e sul) possuem características residenciais, com algum comércio (em geral padarias, botequins, pequenas lanchonetes, bazares e, mais recentemente, LAN houses), além de algumas fábricas de caixas de papelão e gesso. Embora a parte sul de Quintino seja mais conhecida, a parte norte é maior e mais populosa. O bairro conta com muitas ruas degradadas, típicas do subúrbio carioca. O aspecto cinzento pode ser notado na Rua Nerval de Gouveia, onde está a estação de trem.
Entre as escolas existentes no bairro, estão além da ETER, a Escola Municipal Oswaldo Teixeira, a Escola Municipal Quintino Bocayúva, e os colégios particulares João Lyra Filho e Guarany. O Colégio Nacional também diz erroneamente ter uma unidade no bairro, pois esta unidade na verdade está situada já em Cascadura.
Também em Quintino encontra-se uma das casas mais antigas de piano do RJ, a Rei dos Pianos Ltda, que restaura pianos desde 1935.
A partir da abertura da Linha Amarela (1999), o lazer e o consumo de seus moradores tem-se deslocado para dois dos maiores shopping centers cariocas, o Norte Shopping (em Cachambi) e o Barra Shopping (na Barra da Tijuca).
Dados demográficos
Área territorial (2003): 242,62
Total da população (2000): 7.243
Total de domicílios (2000): 2.903
Cultura

Apesar de alguns problemas com infra-estrutura e da onda de violência que vem assolando a cidade do Rio de Janeiro nas décadas de 1990 e 2000, Quintino é ainda um lugar onde resistem certas tradições do subúrbio carioca, como o hábito de crianças brincarem na rua, ou mesmo os adultos colocarem cadeiras de praia no portão e passarem o dia conversando nas portas de casa com os vizinhos.
Procissão de São Jorge 2008, em QuintinoO maior dos acontecimentos anuais de Quintino é a tradicional Festa na Igreja Matriz de São Jorge, que costuma durar cerca de uma semana e culmina com a procissão em homenagem ao santo. Essa festa ganhou mais importância com a criação do feriado municipal de São Jorge.
História
Quintino era até o início do século XX parte da Freguesia de Inhaúma, área do Rio que compreendia vários atuais bairros da região. O lado sul era pantanoso e fazia parte da Fazenda da Bica, com sede próxima a atual Rua Souto. Em 1876, foi inaugurada a Estação Cupertino de trens. Com a morte do jornalista, político e morador da região, Quintino Bocayúva, em 1912, a estação próxima a sua casa ganhou seu nome, e acabou também dando nome ao bairro.
Em 1912, já eletrificado, o bonde de Jacarepaguá serviu de cortejo fúnebre a Quintino. O senador, antes de morrer, pediu para ser sepultado no Cemitério de Jacarepaguá. O féretro veio do centro do Rio pelo trem da Central, até Cascadura, de onde o cortejo seguiu de bonde até o Pechincha.
Nos anos 1940, já existia ao sul de Quintino um enorme terreno, que se mantém do mesmo tamanho até hoje e vai da Rua Clarimundo de Mello até o Morro Inácio Dias, onde funcionava a Escola XV de Novembro e também uma unidade da FUNABEM , onde ficavam presos menores infratores ou então internados menores carentes. A FUNABEM funcionou até o fim dos anos 80 e durante muito tempo foi um problema para seus vizinhos, pois muitos menores em suas tentativas de fuga corriam pelos quintais das casas à instituição.
Nos anos 1960, a vida do bairro era já era movimentada, na parte sul havia várias associações sociais e recreativas, entre elas destaca-se o OTAB, que foi presidido durante muito tempo por Laurindo Azevedo, que realizava famosas festas de Carnaval, dia das crianças, torneios esportivos, e festas famosas que atraíam gente de todo o subúrbio.
Eram comuns os torneios de futsal de várias categorias, que eram disputados pelas várias equipes locais, tais como Mocidade (Rua Lemos Brito), Juventude (Rua Lucinda Barbosa, time da família do jogador de futebol Zico), OTAB, América Jr (do jogador de futebol Ivan, ex- América), entre outros.
Nos anos 1970, com a ascensão política do deputado Jorge Leite, nascido na região, o bairro ganhou desenvolvimento, com o asfaltamento de todas as ruas. Dessa época, também data a época de maior força dos ranchos carnavalescos locais: Decididos de Quintino e Aliados de Quintino, que figuravam entre os mais importantes ranchos da cidade do Rio de Janeiro. Havia também o rancho Aliança, de menor expressão.
Com a decadência dos ranchos por oposição às escolas de samba, nos anos 1980, tanto o Decididos quanto o Aliados procuraram transformar-se também em escolas de samba, o que não deu certo e resultou na extinção de ambos, não sem antes o primeiro ter sido campeão do último desfile de ranchos realizado no Carnaval Carioca.
Progressivamente, também as entidades e a própria vida social do bairro foram se extinguindo com o passar dos anos. Alguns apontam vários fatores para essa decadência da vida cultural e social do bairro, mas talvez as maiores causas sejam a especulação imobiliária e o aumento da violência, que diminuíram as relações entre vizinhos nas décadas seguintes.
Nos anos 90, um grupo de moradores do lado sul de Quintino tentou resgatar esse espírito criando a Associação de Moradores da Rua Bernardo Guimarães, que chegou a até mesmo organizar um carnaval de rua por alguns anos, mas não mais com a mesma força de antes. Em pouco tempo esta associação também foi extinta.
Ainda na década de 80 se destacou a figura do folclórico político Albano Reis, nascido na comunidade da Caixa D'água, e que criou um centro de reabilitação infantil gratuito próximo à estação de trens. Albano também ficou conhecido como "o Papai Noel de Quintino", pois costumava se vestir de Papai Noel, distribuindo presentes às crianças em datas como Dia de Cosme e Damião, Dia das Crianças e Natal, além de espalhar cheques e notas de dinheiro pelas ruas do bairro para que os moradores procurassem.
Em 1998, Albano montou um presépio e decorou com pinturas, esculturas e iluminação especial o seu centro de reabilitação, decorando também casas vizinhas, além de contratar animadores que se vestiam de "papais e mamães noéis" para animar a recepção das crianças. Essa iniciativa trouxe novamente alguma importância para o bairro, pois moradores de outros bairros vizinhos passaram a ir até Quintino apreciar a decoração. Porém, o sucesso não se seguiu nos anos seguintes, em parte pelo fato de Albano Reis ter preferido apostar mais em outras bases eleitorais e relegar Quintino a um segundo plano, até sua morte em 2004.
Em 1996 foi oficialmente criado o CEI, um projeto do Governo do Estado do Rio de Janeiro que aproveitava a área onde funcionavam a Escola XV de Novembro e a FUNABEM (então já extinta), que na época era grandioso, porém tornou-se decadente com a eleição do governador Anthony Garotinho. Este renomeou o CEI para CETEP e criou a FAETEC. Duas faculdades chegaram ser criadas lá após isso, uma de Informática e outra de Agronomia, sendo as únicas faculdades situadas em Quintino.
Também vale destaque nos anos 90 a quadrilha junina Tiririca de Quintino, que chegou a ser campeã do badalado concurso de quadrilhas promovido pela prefeitura do Rio de Janeiro nessa década.
Em 2003 foi criada a Obra Social Murialdo, projeto da Paróquia de São Jorge que tem por objetivo realizar trabalhos sociais no bairro. Ela funciona num antigo terreno baldio da Rua Franco Vaz, onde hoje há uma quadra esportiva que é utilizada pelo projeto e também alugada com o objetivo de arrecadar fundos para a instituição.

Velório do ex-deputado Albano Reis, realizado em dezembro de 2004, em frente a seu centro social, em QuintinoEm 2006, a violência afetou até mesmo a mais tradicional festa quintinense, a Festa de São Jorge. No dia da procissão, um tiroteio entre traficantes rivais no meio da festa feriu 5 pessoas na Rua Clarimundo de Mello, bem no dia do encerramento da festa, seu ponto alto. Na semana seguinte, o dinheiro arrecadado com a festa foi roubado da Obra Social Murialdo. Parte foi recuperado posteriormente, mas isso não impediu a decisão por parte da Paróquia de reduzir a festa no ano seguinte, festa essa que passou a terminar no próprio dia de São Jorge (23 de abril), e não mais no domingo seguinte, como era o costume.
Apesar de hoje Quintino ser motivo de piada dentro do próprio bairro, ainda persistem tentativas de alguns moradores de resgatarem a memória e a auto-estima da população local através de projetos que possam melhorar a qualidade de vida do lugar.
Limites geográficos
Delimitação do bairro Quintino Bocaiúva, Código 079, segundo o Decreto Nº 5.280 de 23 de Agosto de 1985.
“Do entroncamento da Rua Padre Manuel da Nóbrega com a Rua Quintão, seguindo por esta (incluída) até a Avenida Suburbana; por esta (excluída) até a Rua Palatinado; por esta (excluída, atravessando a Rua Goiás, a Estrada de Ferro e a Rua Nerval de Gouveia), em direção à Rua Garcia Pires; por esta (incluída) até a Rua Clarimundo de Melo; por esta (excluída) até a Rua Souto; por esta (excluída) até a Rua Ituna; por esta (excluída) até o seu final; daí; por uma linha reta, ao final da Rua Inharé; por esta (excluída) até a Rua São Pedro; por esta (excluída) até o seu final; daí, subindo a vertente, até o Morro do Inácio Dias (cota 188m); daí, subindo e descendo o divisor de águas da Serra dos Pretos Forros, passando pelos pontos de cota 404m e 413m, até o ponto culminante do Morro da Covanca (cota 274m); deste ponto, pela vertente em direção leste, até o ponto culminante do Morro do Careca (cota 334m); deste ponto, descendo e subindo os espigões, ao ponto mais alto do Morro do São Jorge (cota 451 m); deste ponto, descendo o espigão, passando pelo ponto de cota 254m, até o entroncamento da Rua Almeida Nogueira com a Rua Clarimundo de Melo; daí, subindo e descendo as vertentes do Morro da Caixa d'Água, em direção ao final da Rua Cesário Machado; por esta (incluída) atravessando a Rua Elias da Silva; daí; pelo Ramal Principal da RFFSA, até a Rua Lima Barreto; por esta (incluído); Avenida Suburbana (incluída) até a Rua Padre Manuel da Nóbrega; por esta (incluída) ao ponto de partida.”


Se todos nos ajudamos
ResponderExcluirao proximo o
mundo seria melhor